Renata Sobral » 2010 » fevereiro
Cânceres ósseos em cães

Entre os diferentes cânceres que podem acometer os ossos de cães, o tipo conhecido como osteossarcoma é o mais comum (cerca de 85% dos casos) e existe uma tendência para esse câncer ocorrer em cães de grande porte.

Cerca de 75% dos casos de osteossarcoma aparecem em ossos dos membros (osteossarcoma do esqueleto apendicular). Normalmente, o cão apresenta dificuldade para apoiar o membro acometido pelo inchaço e também pela dor causada pela doença.

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Descrição da imagem: Imagem radiográfica de destruição óssea do ombro de Rotweiller com osteossarcoma.

A dor é considerada o maior desconforto causado pelo osteossarcoma, pois a doença induz destruição gradativa do osso onde o câncer se iniciou. Por isso, a indicação de amputação do membro é o primeiro passo no plano de tratamento.

O uso de analgésicos opióides (derivados da morfina), em associação a outros medicamentos, pode ser uma boa opção terapêutica inicial. Porém, com o tempo e o crescimento do câncer ósseo, a dor não é totalmente controlada somente por medicamentos.

Os cães que são amputados de um membro usualmente adaptam-se fácil e rapidamente. Normalmente, observamos o animal adaptar-se a andar com três membros cerca de 48 a 72 horas após a cirurgia. Para aqueles animais que já não apoiavam o membro comprometido antes da ciruriga, a adaptação ocorre no pós-operatório imediato.

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Descrição da imagem: Paciente Pitbull após amputação do membro anterior. A adaptação para caminhar com 3 membros ocorre dias após a cirurgia.

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Descrição da imagem:Paciente Pitbull após amputação do membro anterior. A adaptação para caminhar com 3 membros ocorre dias após a cirurgia.

A quimioterapia adjuvante à cirurgia é recomendada, pois as chances de metástases para os pulmões e para e outros ossos são extremamente elevadas.

A sobrevida média de cães com osteossarcoma apendicular, que recebem tratamento quimioterápico adjuvante, é maior que aqueles tratados somente com a cirurgia de amputação.

Embora apenas uma pequena parte dos pacientes (15%) exiba imagens sugestivas de metástase ao diagnóstico, a maioria dos pacientes (90%) evolui para metástases (usualmente para pulmões) dentro de 1 ano do diagnóstico, caso a quimioterapia não seja empregada.

Os protocolos de quimioterapia que associam drogas, como, por exemplo, protocolos que combinam platinados (cisplatina ou carboplatina) com antracíclicos, apresentam melhores resultados de sobrevida do que os constituídos por uma única droga.

Estudos clínicos em pacientes caninos com osteossarcoma que receberam tratamento com protocolos combinados mostraram que cerca de 48% dos pacientes ainda estavam vivos no final de 1 ano de diagnóstico e, que cerca de 18% a 28% dos pacientes ainda estavam vivos ao final de 2 anos de diagnóstico.

O osteossarcoma do esqueleto axial (crânio, coluna vertebral, costelas) é uma apresentação menos frequente (15% dos casos). Os pacientes também devem ser avaliados para a possibilidade de abordagem cirúrgica do osso sítio da doença e, na impossibilidade de remoção cirúrgica, o controle da dor deve ser o principal objetivo do tratamento. Nestes casos, o tratamento quimioterápico também fica indicado, pois as chances de metástases também são elevadas.

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Descrição da imagem: Aparência após cirurgia de paciente felina diagnosticada com osteossarcoma de mandíbula.

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Descrição da imagem: Paciente Bob, diagnosticado com osteossarcoma de arco zigomático (um dos ossos do crânio).


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Descrição da imagem: Bob durante sessão quimioterápica para tratamento paliativo do osteossarcoma de arco zigomático (um dos ossos do crânio).

Linfoma em cães e gatos

Linfomas são cânceres linfáticos muito comuns em cães e caracterizam-se por uma produção excessiva de linfócitos (uma das células defesa do sistema imune) em vários linfonodos (gânglios linfáticos).

A forma mais comum de linfoma em cães é conhecida como linfoma multicêntrico, ocorrendo um aumento súbito e generalizado dos linfonodos superficiais e também dos linfonodos cavitários. Usualmente, o fígado e o baço também são infiltrados pelos linfócitos tumorais.

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Descrição da imagem: Aumento dos linfonodos superficiais do pescoço e dos membors posteriores em cão com linfoma.

Outras apresentações menos comuns do linfoma em cães são as formas alimentar (quando o linfoma se desenvolve na parede do estômago e intestino), forma mesentérica (quando ocorre aumento de volume dos linfonodos da cavidade abdominal), forma mediastínica (quando ocorre aumento de volume dos linfonodos da cavidade torácica) e também a forma cutânea (quando ocorre infiltração dos linfócitos tumorais nas camadas da pele). Cada apresentação da doença exibe sintomatologia específica.

A forma multicêntrica é a mais comum e acomete aproximadamente 70% dos casos de linfomas em cães.

O tratamento é exclusivamente à base de quimioterapia e, como a doença se estabelece de forma aguda, a resposta ao tratamento também é bastante rápida. Na maoria dos casos, os pacientes apresentam regressão do volume dos linfonodos (remissão da doença) em 24 a 48 horas a partir do início do tratamento quimioterápico, que dura em torno de 20 a 25 semanas.

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Descrição da imagem: A Julie e o Renato logo após sessão de quimioterapia para tratamento de linfoma.

Embora o paciente em tratamento não apresente nenhuma evidência de doença, isso não quer dizer que ele tenha sido curado e sim que a doença está sob controle. Terminado o tratamento, o paciente é mantido em acompanhamento pelo oncologista veterinário até que exista evidência de retorno da doença, o que pode ocorrer em período variável de tempo (meses a anos).

A recidiva (volta da doença) ocorre, pois os linfócitos cancerosos têm capacidade de desenvolver resistência às drogas quimioterápicas utilizadas. Nessa condição, o tratamento deve ser iniciado novamente, porém com drogas quimioterápicas diferentes das já utilizadas previamente.

Embora o linfoma não seja considerado uma doença curável e sim controlável, a manutenção da qualidade de vida do paciente é mantida durante o tratamento e o período livre de doença e esse é o maior benefício do tratamento.

Diferente dos cães, os gatos raramente apresentam o linfoma na forma multicêntrica.

Nos felinos, a apresentação mais comum do linfoma são as formas digestiva e mediastínica. Gatos jovens diagnosticados com linfoma usualmente são positivos para infecção pelo vírus da leucemia felina (FeLV).

A forma digestiva do linfoma em gatos acomete a parede do estômago e/ou a parede do intestino com ou sem aumento volume dos linfonodos da cavidade abdominal, podendo ser palpáveis ou ainda identificados por meio de exame ultrassonográfico. Usualmente, o paciente exibe inapetência, vômitos e/ou emagrecimento.

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Descrição da imagem: Linfoma gástrico em paciente felina. Evidência de espessamento da parede do estômago pela infiltração da doença.

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Descrição da imagem:
Imagem radiográfica de tórax de paciente felina com linfoma mediastínico. A doença produz líquido (efusão) que dificulta a expansão dos pulmões e traz dificuldade respiratória. Na imagem à esquerda observa-se acúmulo de líquido (efusão) no espaço ao redor dos pulmões. A imagem à direita foi feita após primeira sessão de quimioterapia;  o quadro efusivo não é mais presente e o paciente voltou a respirar sem dificuldade.

A forma torácica do linfoma em gatos exibe aumento de volume de linfonodos mediastínicos que podem levar à produção de líquido (efusão torácica). Assim, o paciente pode demonstrar desconforto ou dificuldade para respirar.

Da mesma forma que em cães, as várias apresentações do linfoma em gatos são tratadas basicamente por quimioterapia, que objetiva o controle da doença com manutenção da qualidade de vida.

Câncer de mama em cadelas e gatas

O câncer de mama é o tipo mais comum de câncer diagnosticado em cães fêmeas no Brasil e, ironicamente, é considerado um tipo de câncer passível de prevenção pela castração precoce (até 1 ano de idade) das fêmeas caninas.

O câncer normalmente é diagnosticado em cadelas a partir dos 7 anos de idade, porém, alguns animais podem desenvolver a doença precocemente.

Normalmente, o câncer de mama é suspeitado pelo aparecimento de nódulos (único ou múltiplos) nas mamas. Algumas outras formas da doença, como, por exemplo, a ocorrência de feridas que envolvem a mama e a pele ao redor, podem representar uma forma mais agressiva da doença, conhecida como carcinoma mamário inflamatório.

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Descrição da imagem:
Carcinoma mamário inflamatório em Labradora.

Aproximadamente 70% dos cânceres de mama em cadelas são malignos e, quanto mais precoce for o diagnóstico, isto é, quanto menor for o tamanho do nódulo da mama, maior será a chance de cura.

Como tratamento, recomenda-se a cirurgia para retirada da mama, de um segmento ou ainda de toda a cadeia mamária que contenha os nódulos.

Também fica indicada a retirada cirúrgica dos linfonodos (ou gânglios linfáticos) que drenam a mama onde o tumor apareceu. A análise anátomo-patológica (microscópica) do nódulo da mama e dos linfonodos comprova a natureza da doença e também define se ocorreu a disseminação linfática regional. Em casos em que a disseminação é constatada, fica indicado o tratamento quimioterápico como um complemento à cirurgia.

Pacientes caninas diagnosticadas com câncer de mama em estadiamento clínico inicial (isto é, nódulos pequenos e sem disseminação regional para os linfonodos) têm alta chance de cura. Quando existe evidência do câncer nos linfonodos regionais, o prognóstico é mais reservado, porém ainda existem possibilidades de tratamento e cura.

Quando o câncer apresenta-se disseminado em órgãos distantes (metástase), o prognóstico é desfavorável, mesmo assim a paciente pode se beneficiar de tratamento paliativo com manutenção da qualidade de vida.

Os sítios mais comuns de disseminação metastática do câncer de mama em cadelas são pulmão, fígado e também ossos.

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Descrição da imagem:
Imagem radiográfica de metástase óssea de carcinoma mamário invasivo em paciente canina da raça Teckel.

Em gatas, o câncer de mama apresenta um potencial de malignidade maior do que nas cadelas. Aproximadamente 80% a 90% dos cânceres de mama em gatas são malignos e apresentam alta chance de disseminação metastática para linfonodos e pulmões.

A cirurgia para a retirada dos cânceres de mama em gatas deve ser praticada de forma mais agressiva do que em cadelas, pois o índice de recidiva (quando o câncer volta a crescer no local onde originalmente ele foi retirado) é bastante alto.

As gatas são sempre beneficiadas do tratamento quimioterápico complementar à cirurgia, pois a possibilidade de disseminação da doença para o pulmão é relativamente comum na espécie.

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Descrição da imagem:
Brigite, fotografada no dia em que recebeu alta, após o término do período  de segmento ( 2 anos após o término  do tratamento) de um carcinoma mamário.

Oncologia Veterinária

A oncologia veterinária, praticada em pequenos animais, é uma especialidade dedicada ao diagnóstico e ao tratamento dos diferentes tipos de câncer em cães e gatos.

A incidência do câncer em cães e gatos tem aumentado progressivamente nos últimos anos. Embora isso possa parecer uma informação desanimadora, na verdade é uma prova de que as espécies de companhia estão vivendo cada vez mais, pois a doença câncer, usualmente, acomete cães e gatos em idade avançada.

Hoje, a oncologia veterinária é uma das especialidades em destaque e uma das de maior número de atendimento em clínicas e hospitais veterinários.

A cirurgia é considerada a principal abordagem no tratamento de câncer em cães e gatos. Aproximadamente 70% dos tumores diagnosticados têm indicação para tratamento cirúrgico.

Em alguns casos, a cirurgia é realizada como tratamento único, porém, existem outras situações em que a possibilidade de disseminação do câncer para outros órgãos (disseminação metastática) é alta e, nesses casos, a quimioterapia fica indicada como tratamento complementar, visando melhor controle da doença e o aumento da sobrevida do paciente.

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O tratamento único com quimioterapia é indicado em cânceres como os linfomas e leucemias. Embora muitos proprietários inicialmente expressem certa apreensão relacionada aos efeitos colaterais que o tratamento possa desencadear, na prática observamos que os efeitos colaterais da quimioterapia em cães e gatos são muito mais sutis e melhor tolerados pelos animais do que por pessoas submetidas ao mesmo tratamento.

 

Descrição da imagem: Raíssa e sua proprietária Caren durante sessão de quimioterapia.

 

Assim como em pessoas, os efeitos colaterais desencadeados pela quimioterapia em cães e gatos também incluem náuseas e vômitos, leucopenia (queda no número das células de defesa), diarréia e alopécia (queda dos pêlos).

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A esquerda: Dalila e sua proprietária Carolina, após sessão de quimioterapia para controle de um câncer de mama.
A direita: A Nina perdeu alguns bigodes após quimioterapia. Em gatos, é mais comuns a perda dos bigodes do que dos pêlos.

Na intenção de minimizar ou inibir os efeitos da quimioterapia, o médico veterinário oncologista recomenda o uso de terapia suporte alguns dias após a sessão, como, por exemplo, medicamentos para controle de náuseas, protetores de mucosa gástrica e intestinal e, em algumas situações, antibióticos.

Embora a oncologia veterinária seja uma especialidade que ofereça opções diversas para o tratamento do câncer em cães e gatos, vale salientar que a melhor e mais efetiva forma de tratar o câncer é diagnosticá-lo precocemente para que as chances de cura sejam maiores.

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Descrição da imagem: Os proprietários são a família do paciente. As opções de tratamento devem ser discutidas com a família.

Perfil de Renata Sobral

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Graduada em Medicina Veterinária pela UNESP/Campus de Jaboticabal.

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– Início das atividades como residente em Cirurgia de Pequenos Animais no Hospital Laudo Natel da UNESP/Jaboticabal. Orientada e influenciada pelo Prof. Dr. Carlos Roberto Daleck que havia recentemente retornado ao Brasil após um período de acompanhamento da rotina do Animal Cancer Center da Colorado State University (CSU), EUA.

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– Início das atividades como professora em Técnica Cirúrgica e Clínica Cirúrgica de Pequenos Animais na Universidade Metodista de São Paulo até 2006.

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– Criação do Serviço de Oncologia Veterinária no PROVET, Unidade Jurucê (atual Unidade Divino Salvador, Moema, São Paulo), onde permanece como uma das responsáveis pela equipe de médicos veterinários oncologistas.

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– Defesa da dissertação de Mestrado em Cirurgia Veterinária pela UNESP/Campus de Jaboticabal, com enfoque em quimioterapia antineoplásica no tratamento do osteossarcoma canino.

julho2004

– Participação da fundação da Sociedade Brasileira de Oncologia Veterinária (ABROVET).

dez2006

– Defesa da tese de Doutorado em Oncologia pela USP/Faculdade de Medicina em São Paulo, com enfoque em biologia molecular como método de auxílio no diagnóstico e prognóstico do câncer de mama em mulheres e em cães fêmeas.

julh2008

– Colaboração internacional como técnica veterinária da instituição British Columbia Society for the Prevention for Cruelty do Animals (BCSPCA), sendo uma das responsáveis técnicas do abrigo de cães, gatos e pocket animals do abrigo da cidade de Vancouver, British Columbia, Canadá, com enfoque em bem-estar animal.

set2009

– Início das atividades como responsável pelo Centro de Oncologia Veterinária do Hospital Veterinário Tutti Cane, Alphaville, São Paulo.

jan2010

– Início das atividades como responsável pelo Serviço de Oncologia do PROVET, Unidade Anália Franco, Jardim Anália Franco, São Paulo.

Câncer de pele em gatos (carcinoma espinocelular)

O carcinoma espinocelular (CEC) em ocorre gatos gatos brancos ou gatos de pele clara.

As áreas mais acometidas pelo CEC são as regiões da face com pouca pigmentação e que são de pouca ou nenhuma cobertura por pelos, como por exemplo nariz, pálpebras, têmporas e orelhas.

O câncer origina-se pela exposição das áreas despigmentadas ao sol. Os raios ultravioletas da radiação solar são altamente danosos ao DNA da camada mais superficial da pele de animais muito claros.

As lesões iniciais (conhecidas como dermatite actínica) iniciam como uma vermelhidão da pele, seguida de descamação superficial, que deixa a pele mais sensível e exposta à ação lesiva contínua do sol. Com o passar do tempo, inicia-se a formação de úlceras (feridas) que crescem, tornam-se mais profundas e sangram com facilidade.

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Descrição da imagem: Paciente com lesão inicial de CEC em nariz.

O objetivo do tratamento é a eliminação ou o controle do crescimento das úlceras. O tratamento cirúrgico ou crioterápico (cauterização por nitrogênio líquido) é mais efetivo quando as lesões são iniciais (pequenas).

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Descrição da imagem: Aparência pós crioterapia de lesão inicial de CEc em nariz de paciente felino.

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Descrição da imagem: Paciente anestesiado sendo submetido à sessão de crioterapia.

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Descrição da imagem: Aparência de lesão de CEC 48 horas após crioterapia.

O CEC que acomete orelhas pode ser facilmente curado com a amputação das orelhas do paciente. As lesões que acometem a região do nariz e das pálpebras exigem abordagem mais cuidadosa e delicada, pois os resultados da cirurgia e ou da crioterapia podem trazer deficit funcional e também estético.

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Descrição da imagem: Lesão ulcerativa profunda de CEC em nariz.

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Descrição da imagem: Aparência de pós-operatório de conchectomia bilateral (amputação bilateral de pavilhão auricular).

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Descrição da imagem: Aparência pós conchectomia bilateral em paciente felina.

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Descrição da imagem: Paciente Dexter meses após conchectomia bilateral. Total controle das lesões de CEC em orelhas.

Em casos muito avançados, em que a cirurgia não é possível, recomenda-se tratamento quimioterápico ou radioterápico para induzir a redução das lesões ou ainda como tratamento paliativo. A cirurgia ou crioterapia pode ser realizada posteriomente, se ocorrer redução satisfatória das úlceras a ponto de serem tratadas cirurgicamente.

O câncer de pele de gatos não possui potencial elevado de metástase. O controle local da doença é mais importante do que a tentativa de diminuir a possibilidade de disseminação metastática.

Como medida preventiva da doença, recomenda-se o uso de protetores ou bloqueadores solares (PFS 30) na face de animais com propensão ao CEC.

Mastocitoma em cães

Mastocitomas são tumores originados de mastócitos, um tipo de célula presente no subcutâneo e que participa nos processos de resposta alérgica.

Mastocitomas em cães são considerados um dos tipos de tumores de pele e subcutâneo mais comuns (cerca de 16% a 21%).

O grau de malignidade e agressividade dos mastocitomas está diretamente relacionado ao grau de diferenciação do tumor. Considera-se que tumores de alta diferenciação (Grau I) têm melhores chances de tratamento e cura que aqueles de diferenciação moderada (Grau II) ou baixa (Grau III).

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Descrição da imagem: Figura 20. Pinscher com mastocitoma (GII) em flanco.

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Descrição da imagem: Paciente com mastocitoma (GIII) em região inguinal.

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Descrição da imagem: Paciente com mastocitoma (GIII) em região inguinal e perivulvar.

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Descrição da imagem: Paciente com mastocitoma (GIII) em membro posterior.

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Descrição da imagem: Paciente com mastocitoma (GIII) em região perineal e membro posterior.

Algumas raças caninas, como Boxer, Boston Terrier, Retriever do Labrador, Golden Retriever, Beagle e Schnauzer, apresentam maior predisposição ao tumor em relação às demais raças.

Os Boxers usualmente desenvolvem tumores de Grau I e II, o que confere prognóstico mais favorável.

Os locais mais comuns para metástases de mastocitoma são os linfonodos regionais (gânglios linfáticos). Fígado, baço e medula óssea também podem ser órgãos-alvo para infiltração metastática de mastocitoma.

Os mastocitomas em cães têm apresentação clínica bastante variável. A maioria dos casos aparece como lesões únicas; cerca de 11% a 14% apresentam lesões múltiplas. As lesões de mastocitoma Grau III tendem a crescer mais rapidamente e causar inflamação e edema nas regiões vizinhas ao tumor.

A cirurgia é indicada na grande maioria dos casos, porém, em casos de tumores muito volumosos, a quimioterapia pode ser instituída como uma abordagem antes da cirurgia para produzir redução do volume do tumor. A cirurgia pode então ser realizada posteriormente com melhores resultados estéticos.

As margens cirúrgicas, isto é, a quantidade de tecido ao redor do tumor que deve ser retirada durante a cirurgia, devem ser as mais amplas possíveis, desde que haja possibilidade de plástica ou reparação cirúrgica no local.

No caso de remoção parcial do tumor com permanência de margens comprometidas por células tumorais ou ainda, de evidência de metástase regional, ficam indicados os diversos protocolos de quimioterapia como tratamento complementar. A radioterapia na área da cicatriz cirúrgica também é uma opção para tumores parcialmente ressecados.