O 1º Congresso de Dermatologia Veterinária, organizado pela Sociedade Brasileiro de Dermatologia Veterinária, que ocorreu na última semana em Campos de Jordão, contou com a participação de vários profissionais renomados na apresentação de palestras e na discussão de casos dermatológicos de interesse. Eu, no início deste ano, recebi o convite da organização para ministrar palestra sobre Síndromes Paraneoplásicas.

Síndromes paraneoplásicas podem ser definidas como desordens sistêmicas que produzem sinais clínicos não relacionados ao sítio do tumor (primário ou metastático) pela produção e liberação de substâncias como, hormônios, mediadores inflamatórios, peptídeos ativadores ou ainda pela resposta imune do próprio paciente.

Em minha palestra discorri, com detalhes, sobre as apresentações paraneoplásicas conhecidas como hipercalcemia, anemia e caquexia, além das manifestações cutâneas relacionadas a malignidades em cães e gatos.

A hipercalcemia é uma condição comum em pacientes com câncer, acomete cerca de ¾ dos cães e 1/3 dos gatos com tumores e, deve ser diagnosticada e tratada para que o paciente não evolua para insuficiência renal. Os tumores que mais comumente induzem hipercalcemia são os tumores de tireóide, paratireóide, carcinoma do saco anal, mieloma múltiplo e linfomas do tipo T.

A maioria das anemias paraneoplásicas são imuno-mediadas, sua ocorrência está relacionada à deposição de proteínas antigênicas sobre a membrana dos eritrócitos que, uma vez identificadas pelo sistema imune do paciente, acabam sendo destruídos precocemente pela ação de anticorpos. Linfomas, hemangiossarcomas e sarcomas histiocíticos são os tumores mais comumentes associados às anemias causadas por câncer.

A caquexia manifesta-se por uma perda expressiva da massa magra ocasionada por um aumento no gasto energético pelas células malignas; sabemos que as células tumorais priorizam a glicose como fonte de energia cerca de 10 a 50 vezes mais do que as células normais e, por isso, exaurem as reservas hepáticas e musculares de glicogênio do paciente. Não raras vezes, a magreza e degradação física evidenciada pelos pacientes caquéticos podem motivar o proprietário quanto à decisão pela eutanásia.

As manifestações cutâneas paraneoplásicas mais comumente vistas em nossos pacientes estão relacionadas ao hipercortisolismo (nos casos de hiperadrenocorticismo), hiperestrogenismo (nos casos de tumores tumores testiculares e ovarianos) e, com menor frequência, nos casos de tumores pancreáticos, hepáticos e renais, além das  lesões cutâneas auto-imunes, como por exemplo, no pênfigo paraneoplásico.

Caso você queira maiores informações sobre a ocorrência de síndromes paraneoplásicas em cães e gatos envie sua dúvida para renatasobral@oncocane.com

 

Renata e Quindim